As usual...

de uma forma ou de outra acabo sempre a ver-me representada neste belíssimo espécimen.
 


Passagem de testemunho

Ontem foi a vez de dar à minha filha mais velha, um dos meus livros de infância. O segundo que me lembro de ler com ‘letras grandes e muitas páginas’ como fazia a minha mãe. Aquele que me fazia recordar que não gostava de ser filha única. Ainda que na minha ambição fosse a mais nova de 4 irmãos, todos rapazes, o que na realidade a acontecer, mais do que um desejo realizado seria um verdadeiro milagre da natureza humana.

O primeiro, contudo, de uma longa lista de títulos escritos pela mesma autora, e a primeira acha para o fogo que durante muito tempo aqueceu a minha pretensão de ser escritora (coisa quase morta nos dias actuais).

Ontem foi o dia de passar o testemunho à minha filha mais velha, e de ver com alegria, os olhos dela estremecerem à passagem das primeiras linhas, na mesmíssima medida que, acredito, terem tremido os meus à quase 30 anos atrás.

Foi bonito. <3 font="">

E começaram....

os fins de semana passados em casa das amigas, sem qualquer pudor ou sentimentos de culpa de deixar a pobre da mãe lhe pôr a vista em cima durante mais um fim de semana.
E ainda se dá ao luxo de se mostrar ofendida com as combinações que faço com a mais pequena, satisfeita que nem um alho porque vai (finalmente!) ter um fim de semana em que é filha única.
Olha queres lá ver....ela ia para a farra e nós ficávamos sentadinhas em casa?!!! Era isso, era....

Dilema

Tenho andado por aqui num constante dilema. Arranjo um novo blog, discreto e anónimo, onde poderei expor tudo aquilo que realmente me apetece escrever, longe dos olhares indiscretos daqueles que já não pertencendo à minha vida continuam com a pecaminosa necessidade de me visitar, quiçá afoitos de ter mais alguma coisa para me apontar ou opto por me manter ativa aqui neste MEU espaço. No espaço onde teve início esta aventura, onde expus o bom e mau que me tem vindo a acontecer ao longo dos anos, onde sou EU. Descomplexada daquilo que vai pensar o pai da miúda que se senta na carteira ao lado da minha filha mais velha ou a professora da mais nova, das opiniões sussurradas dos colegas de trabalho que mal me dão os bons dias mas se alvoraçam pelo dia em que finalmente lhes concederei a oportunidade de me tornarem num dos boatos rolantes. Indiferente, sobretudo, àqueles (os tais já acima mencionados) que fazendo-se de desinteressados e altivos, esfregam as mãozinhas de contentes com cada novo post (sim, eu sei, aliás sabe-se sempre!), esperançosos que seja desta que me apanham a fraqueza de espírito (desenganem-se! a de corpo ainda vá, agora a de espírito, só na morgue).

Andei nas últimas semanas com este dilema. Mas já não ando.

Este espaço é meu. E será aquilo que eu me apeteça que seja. Estou-me cagando para a triste frígida que se violenta com a minha presença e busca incessantemente novos argumentos para justificar a cabra que eu sou (espero sinceramente dar-te todos os trunfos!), para os outros que me irão julgar por tudo aquilo que eu sou, por aquilo que eu gostaria de ser, por aquilo que aparento ser, sendo ou não. Enfim, basicamente, por tudo e por nada. E sejamos francos, mesmo que eu não o escreva eles, querendo falar mal, falam sempre, por isso meus queridos inimigos ENJOY!
E para os restantes, aqueles de bons fígados que me vão lendo por puro prazer, porque ainda aguardam ver o regresso daquela tal luzinha que em tempos brilhou, não desanimem. I’M BACK! E pronta para as curvas!

...


Na perceção de que não me olhas, que não te permites a cruzar o teu olhar com o meu. Na certeza de que não somos nem seremos. Nessa convicção profunda o meu mundo tremeu.

Não sou de invejas

e na generalidade borrifo-me para a vida alheia, mas aquilo que eu gostava, mas GOSTAVA A SÉRIO,  de ter o olhar acutilante do Alfaiate Lisboeta.

Caro Gaspar,

Fiquei sensibilizada por ter percebido que afinal sempre és um tipo porreiro. Compreendendo que estou com a cordita na garganta lembraste-te de uma maneira fixe de me ajudar a ganhar uns trocos extra. Fico-te grata, até porque pelo caminho posso dar asas à cabra que existe em mim, e vingar-me dos anos de cafés mal tirados e atendimentos medíocres obrigando-os agora a declararem até os copinhos de água que me servem.
No meio disto tudo só me falhou uma informaçãozita.
Quanto é que estás mesmo a pagar à hora? Ou será à factura?

Aguardo notícias,

Mas quem é que terá enganado esta malta

a acharem que eu tenho em mim uma qualquer gota de essência de agricultora. Logo eu que só distingo uma couve galega de uma alface frisada pela etiqueta que os senhores lá colocaram.
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Pronto, okay a alface eu ainda reconheço, mas vocês perceberam a ideia, certo?!!!

Pronto, há que me resignar às evidências…


Eu, definitivamente, não sou uma boa mãe.
É com pesar que o constato. Mas como o primeiro passo para a resolução dos problemas é enfrentar o boi pelos cornos (dizem!) há que afirmá-lo sem pudor – Eu não sou boa mãe!
Digo-o porque recentemente constatei (quiçá com uma pequena farpa enterrada na alma) que as minhas filhas raramente têm ataques. Ataques a sério, daqueles grandes que as fazem atirarem-se ao chão, bater os pézinhos, exigir, gritar, amuar, enfim utilizar em menos de 5 minutos o cardápio completo do Manual de bom Comportamento da Criança Mal-educada, é que népias! O máximo que se lhes consegue arrancar é um mísero ‘tu és má!’ de coração partido e lágrima forçada que dura, no máximo dos máximos, uns bons 5 minutos. Um desalento!
Depois, também não são daquelas que se enterram em bolos ou guloseimas. Pois que sim que são gulosas. Uma mais do que a outra. Mas também aceitam com uma cruel naturalidade quando se lhes diz ‘agora não há chocolates o resto do mês’ . Assim, sem uma reivindicação, um grito, uma simulação de birra, nada….é como vos digo um desconsolo para qualquer mãe que se preze.
Também há aquelas alturas em que têm, forçosamente, de estar comigo no escritório. E nesses dias é frequente ouvir dos colegas um surpreendido ‘ahhh…tinhas cá as miúdas??! Nem se ouviram o dia inteiro’.
Francamente, isto lá é coisa que uma mãe deseje ouvir?!
Então e os gritos desembargados corredor fora?! Então e os choros de amplitude máxima porque já se entalaram 20 vezes no elevador?! E os gritos que querem ir comprar bolos?!
É uma vergonha levá-las a qualquer lado!
As palonças ficam sentadas, a ver filmes, a ouvir a Radar, fazem os trabalhos….é de cortar o coração!
Ora isto, para além de ser fenómeno estranho e raro nos tempos de correm, é também um major turn- off nas relações que se criam com as outras mães. Ou seja, as tipinhas para além de incapazes em me fazerem passar vergonhas ainda ser dão ao desplante de me boicotarem a vida social na esfera materna. Sim, porque como é que se há-de manter relacionamentos sociais sérios, se de 5 em 5 minutos se está a dizer ‘pois …não…as minhas filhas isso não fazem’. Ao sim de meia hora, ninguém quer conversas connosco. Os olhos reviram-se-lhes num misto de pânico e asco, e das suas cabecitas ecoam as palavras sábias ‘olha m’esta?!!! Tu queres ver?!!! Olha’me, olha’me, quer conversa!’
Eu bem que tento. E  assim de quando em vez , num ato de perfeito desespero e desejo de integração ainda procuro simular um ‘ah sim, e quando lhes dá para isso…humpffff (cara de profunda indignação materna)’ mas qual quê, já ninguém me leva a sério. 
E agora pá?! Como é que me vou desenrascar de futuro?! 
Queres ver que ainda ando a criar miúdas para serem gente com respeito e boa educação? O que vai ser do futuro delas???

(Se estivessemos nos States aposto que já estava referenciada lá nos serviços sociais.)
 Rais’parta!!!