Memórias festivaleiras duma pomba anilhada



A pulseira de entrada acompanhou-nos em todos os 3 dias do optimus Alive, partilhamos momentos, banhos, emoções, e tal forma que agora até lhe senti a falta.






Fica uma selecção de imagens enquanto pomba anilhada do Optimus Alive 08:


Diário dum Festival de Verão - dia 3



Róisín Murphy - Electrizante. A melhor em termos cenográficos. Mais do que um concerto, uma performance. Muito superior aos tempos de Moloko.

GOSSIP - Beth Ditto no seu melhor! 40 minutos de energia total, a acabarem com um "Standing in the way of control" que ia trazendo a tenda literalmente abaixo, e com uma festa em palco partilhada pelos fãs. Queremos mais e bem rápido!

Ben Harper - Hoje foi o dia de um dos meus maiores ídolos musicais. Pode não ter cantado todas as que eu gostaria, mas cantou aquelas que mais marcam a sua carreira musical: a música de intervenção, de protesto, de alerta. E dizerem, como ouvi durante o concerto, que o "Welcome to the Cruel world" em versão low tone não é para "trazer para um concerto destes" é simplesmente não compreender que todos os concertos de Ben Harper sobre sobretudo para fazer "passar a palavra". Depois de Dylan não há mais quem escreve canções assim.
Brilhante a ideia e o resultado do dueto com o público do hit com a Vanessa da Mata "Boa Sorte/Good Luck". Inesquecível!

Não sendo fã no sentido literal, tive pena de não conseguir ouvir Neil Young (em simultaneo com os Gossip) e muito particularmente o "Keep on rocking in the free world".
Mais uma noite de partilha de gerações. E achem o que acharem, isso para mim é muito louco!

Independentemente de algumas falhas, se o programa for similar em qualidade de bandas, de 9 a 11 de Julho de 2009 já sabem onde me podem encontrar: Passeio Marítimo de Algés - Optimus Alive09!

E para hoje as expectativas estão ao rubro para ver e ouvir ....

GOSSIP


O segundo maior contador de estórias do mundo musical
O grande BEN HARPER

Diário dum Festival de Verão - Dia 2


O dia foi obviamente marcado por este grande Trio (que na realidade foi um quarteto) - Jonh Butler Trio. Numa actuação que roçou as 2 horas devido ao cancelamento do concerto dos Nouvelle Vague (e hoje também teremos desistências?!) foi evidente a qualidade musical, o virtuosismo e mais ... um espirito de luta para fazer deste um Mundo melhor. Eu cá gosto de músicos com alma e com convicções e por isso nota 20 (numa escala de 10) a esta GRANDE BANDA.

E para falar em músicos com ALMA e com MENSAGEM ... abram alas para o senhor da noite .... THE ONE AND ONLY, THE BIGGEST AND GREATEST POET OF OUR TIMES ... MR.BOB DYLAN

Considerações Gerais:
- Dylan é Dylan!
- Profissional. Vem para cantar e não para fazer conversa de chachá.
- É certo que o concerto se centrava no albúm "Modern times" mas eu tinha gostado de ouvir alguns dos grandes clássicos, nomeadamente o "Mr. Tambourine Man" e o "Blowing in the Wind".
- No mínimo estiveram naquele recinto para ver Dylan 4 gerações, e isso meus amigos só acontece aos GRANDES. E este Senhor é mesmo duma Classe Superior!

Considerações Pessoais:
- Em paralelo com a excelência da música e das letras, brilhante foi ver o N. perante o seu (provavelmente) maior ídolo musical de todo o sempre, totalmente extasiado, a cantar com uma força brutal e com uma abertura de alma, que só aqueles que o conhecem conseguem compreender a importância.
- Brilhante foi ter ao meu lado uma miúda, para aí dos seus 20 anos, a telefonar à mãe num dos momentos altos do concerto, para que ela também pudesse ouvir Dylan, um dos seus heróis de sempre (para mim mãe relativamente recente de 2 lambisgoias lindas foi um momento duma comoção tal que ainda hoje ao escrever me vem as lágrimas aos olhos. Tomara eu vir a ter momentos destes com as milhas filhas. Achei genial! Verdadeiramente Genial!).
- Brilhante foi ver casais de 60 anos a vibrarem perante o mestre. Ver miúdos de 16 anos a cantarem Dylan. Brilhante foi ver o Santos Neves, meu ex-professor e Reitor da minha antiga universidade, e a sua esposa, a Rita Ciotta, também minha professora, a curtirem o seu momento.
- Brilhante foi cantar "Like a Rolling Stone" a terminar uma grande noite de música.
- Brilhante foi ter lá estado com o N.

Diário dum Festival de Verão - Dia 1

Aviso inicial:
Pede-se desde já desculpa a todos os leitores e apreciadores da boa utilização da língua portuguesa por eventuais erros gramaticais neste post, que surgirão decorrentes de já alguma falta de hábito de deitar às 3 da matina, sendo que os neurónios apresentaram-se hoje, na sua grande maioria, em falta justificada.

E pronto o primeiro dia já lá vai. E depois de anos de recolhimento festivaleiro cá vão as primeiras considerações deste elemento mais velho (ver http://http://margaridas-aos-molhos.blogspot.com/2008/06/festival-de-vero-ou-pretensiosismo-de.html) de casal pré meia idade sobre a participação em Festival de Verão Optimus Alive:
AAAAAAAAAAAAUUUUUUUUUUUUU!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Grandes Malhas se ouviram ontem. O espaço está louquissimo, apesar de muita gente só as barracas da SAGRES (onde aliás se concentra estupidamente toda a venda de bebidas, águas incluidas) apresentam filas enormes, o pessoal na sua maioria é muito cool e boa onda.
Concentramo-nos boa parte da noite na Tenda do Metro On Stage, como algumas viagens de reconhecimento ao Palco Optimus, sobretudo para ouvir os The National e Gogol Bordello.
Mas hostilidades começaram mesmo foi com os fabulosos Vampire Weekend, iguais a si mesmos, e (pronto) ao Paul Simon também, mas BONS, MUITO BONS. Depois os MGMT foram uma surpresa do caraças, confesso que só os conhecia da Radar, m
as tinha uma ideia dum som mais pop, mais sereno, e foi um concerto de se lhes tirar o chapéu. Espectacular! Como diz o N. tinham uns "muros de som" electrizantes. Estão para já no Top.
E depois dum período mais dificil de passar (apesar dos bons esforços da PEACHES e até do Hercules & Love Affair - é de recordar que esta mãe/mulher moderna aguentou-se contra a Singer - Modelo Alfa, mas esteve quase a quinar perante uma gripe súbita que a punha na manhã de ontem com 38º graus de febre, pelo que pela noite e depois de 8 Cêgripes já era dificil a animação manter um nível muito elevado) vem os Range Against the Machine, e claro um novo rush de adrenalina. Se bem que a onda "mosh" e linguagem violenta não seja bem a minha onda, mas o som tem de facto as suas virtualidades.
E depois algumas considerações curiosas:
Quando cheguei ofereceram-me com grande entusiasmo um flyer publicitário da Pilula do dia seguinte "porque é sempre importante -disse-me a promotora entusiasticamente" ao que eu pensei, "já vens atrasada!.. Duas vezes!" (esclareço contudo e desde já que as minhas lambisgóias nãoforam exactamente descuidos irreflectidos) mas agradou-me a moça ter achado que eu ainda tinha pinta de jovem inconsciente. É porreiro!
E depois não é que agora já entram máquinas fotográficas nos Festivais de Verão, e ninguem me diz nada!!!!!!! Tá bem que com a evolução dos telelecas era normal que assim fossem, mas bolas não podiam ter avisado!!! Hoje já não me enganam.
A finalizar uma palavra para o look do people (yahh os neurónios tão de baixa e os que cá ficaram estão na onda cool e só reajem a expressões estúpidas como esta ... é o que temos ... aguentem-se!) ou efectivamente a moda está mais adaptada às pessoas (teoria do N.) ou não é que estas gerações mais novas, para além de estarem com muito melhor pinta do que nós tinhamos na idade deles, estão consideravelmente mais giros!!! E apesar de tudo parece-me que fumam menos e também entram menos em delírio alcólico. Gostei muito deste "ambiance"
(tomem lá que até se consolam!).
E HOJE HÁ DYLAN! E não é preciso dizer mais nada!

A evolução do roubo ....


Quando o raciocinio é mais rápido que o dos pais

Ontem, no regresso do infantário, vimos a conversar quando subitamente ouvimos vindos do banco de trás uns ruídos semelhantes ao mastigar de pão seco (e até um pouco rijo) por parte da lambisgóia maior. Surpresos com a situação (porque nem sequer tinha sido dia dela pedir o tradicional paozinho para acompanhar a saída da escola) diz-me o N. "se calhar é o pão de ontem que ela trouxe da escola" , e para esclarecer o mistério pergunta-lhe:

Pai- M. esse paozinho é de ontem?
M - Pão não pai, ... torrada.
Pai - :S
Mãe - aaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhh!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Acrescento a título informativo que o referido pãozito tinha ficado no carro à 40º à sombra, pelo que a sua consistência era um bocadito para o duro e para o incomestível.

Um dia mágico...

Hoje, ao sair de casa, o Sol parecia querer brilhar mais forte, rompendo por entre o ceú nublado, como quem tem uma mensagem importante para dar. Os passáros pareciam querer cantar mais alto e melodias mais harmoniosas. A relva parecia mais verde.
Caminhava confiante, quando no seu caminho surge um Coelho, de pêlo muuuuuuito branco e sedoso, e com um sorriso enigmático que a fez querer saber mais sobre esta estranha criatura:
- Olá, diz-lhe o coelho com um sorriso familiar.
- Olá, responde ela. Já nos conhecemos? - pergunta com uma expressão de quem procura na memória mais profunda o reconhecimento daquele focinho peludo, ainda assim um pouco assustada com os poderes mágicos que o Coelho reconhecidamente parecia controlar.
- Não, responde o coelho assertivo, perguntando logo de seguida - O que fazes aqui?
- Ando a passear. A gozar a vida! E tu?
- Vinha à tua procura!
- À minha?! Afinal sempre já nos conhecemos - repetiu ela, em jeito de afirmação inquisitiva, procurando a todo o custo localizar aquele estranho, mas familiar focinho branco.
- Não! - repete o coelho com um olhar vago.
- Então?! - pergunta ela já um pouco sem paciência.
- Tenho uma encomenda para ti?
- De quem?!
- Isso não te posso dizer. Mas ... toma. - E de entre o seu pêlo sedoso, uma peculiar pata começa por retirar uma pequena caixa dourada, que ao sentir a luz do astro rei, explode em milhares de pequenos raios luminosos de muitas cores, numa vibrante dança de luzes e ritmos, que por fim se lançam numa coreografia final que no ceú azul formam um maravilhoso 34.
- Ahhh- exclama ela olhando em seu redor em busca do Coelho Branco de pêlo lustroso para lhe agradecer a linda prenda, sem contudo o conseguir voltar a encontrar.
Retorna o olhar para o céu onde as estrelas e as luzes formam agora uma nova palavra que para o resto do dia lhe trarão um sorriso aos lábios e um calor enorme ao coração.
PARABÉNS!